quarta-feira, 9 de maio de 2012

11. Por aí









No terreiro eu passo por ti
Mas da graça eu vejo-te nua
Quando um pombo te olha, sorri
És mulher da rua
E no bairro mais alto do sonho
Ponho o fado que soube inventar
Aguardente de vida e medronho
Que me faz cantar

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Dramas - Os pés

















Conhecem estas sandálias giras da Zara, que toda a gente namora e existem em preto, laranja/nude/preto, encarnado/roxo e azul/verde?

Pois já as experimentei umas boas dezenas de vezes. Gosto de todas mas o meu olho recai para as pretas e para as encarnadas e roxas que são cores que ficam muito bem com o meu tom de pele no Verão.

Qual é o problema? Passam ali os sete centímetros de diferença de altura e o meu pé fica uma anormalidade.

Passo a explicar. Tenho o pé que qualquer bailarina aspira ter. Um pé com um cou-de-pied (literalmente, pescoço do pé, arco do pé) enorme. Enorme, não. Gigante. A combinar com a hiperextensão das pernas (Não confundir com flexibilidade.), os meus pés fazem sempre de mim um objecto de atenção por parte do mundo da dança.















Vou deixar claro. Ao longo dos anos, com o trabalho, os bailarinos conseguem modificar a forma do pé, bem como arranjar alguma hiperextensão, mas, a este ponto, tem de ser genético. No meu caso é. Naturalmente, se fizer muito Ballet e usar umas sapatilhas de pontas nem que seja uma vez por semana, o cou-de-pied aumenta. O uso prolongado de saltos altos por anos também desenvolve o cou-de-pied e encurta o Tendão de Aquiles.



Um bom cou-de-pied não é apenas uma questão estética. É praticamente uma garantia que esse pé terá um excelente desempenho em cima das pontas e de que é um pé bastante forte para tal, para os equilíbrios, etc.






































Voltemos aos sapatos.

É tudo muito bonito. "Ai que lindo que é o teu pé." O meu pé consome sapatilhas de pontas à velocidade da luz. Já viram o preço delas? Sou amadora, ninguém as patrocina e, devido às características do pé, têm de ser das mais resistentes, mais profissionais e mais caras. Para sequer durarem dois meses, se as calçar uma vez por semana.

Depois, em cima de uns sapatos normais, se forem muito altos, o peito do pé fica demasiado saliente, os ossos a notarem-se, tudo demasiado agressivo para o meu gosto. Nada daquele pé muito liso e delicado que fica perfeito em sandálias de poucas e finas tiras. Fujo o mais possível.

É o que acontece com os sapatos da Zara. 

Bem sei que me queixo, como dizem, de boca cheia e provavelmente esta questão passa ao lado do mais comum dos mortais mas, a meu entender, sapatos com poucas tiras e fininhas só ficam bem com pés muito lisinhos. Sinceramente, nem é assim tão importante, apenas um aspecto estético ao qual ligo alguma coisa.

Isto tudo para dizer a maior das banalidades, que a estética depende sempre dos olhos de quem a vê e varia consoante as classes, "tribos", nacionalidades, épocas, etc.

O objectivo foi antes trazer um pouco da estética da dança. As chamadas linhas. Demonstrar como as noções estéticas podem ser tão dispares. As linhas do Ballet, que ficam lindas num palco, numa imagem capturada mas não necessariamente em tudo, como nos sapatos muito altos. Pelo menos, a meu ver.

Ou seja, fico um pouco curiosa de saber qual é a vossa opinião, sobretudo de quem é alheio a esta estética particular, o que acham disto:





























(Estes pés são da Victoria Beckham. Nada de extraordinário mas não encontrei um foto dos meus em saltos, que se visse ao pormenor, nem nada na net.)

Em comparação com isto:


 (Pézinhos da Jessica Stein, sem qualquer curvatura.)

Curiosamente, no mundo da moda, também há quem represente as suas preferências.

Manolo Blahnik geralmente opta por um cou-de-pied nada saliente.





































Já Christian Louboutin desenha sempre um cou-de-pied proeminente.




sexta-feira, 4 de maio de 2012

3. Casual Friday

Desde que comecei a trabalhar após a faculdade, sempre adorei a prática de trocar os sapatos, fosse Inverno ou Verão. Pelo conforto, para poupar os saltos (e os pés) à calçada e pela sensação de estar no modo "trabalho" e no modo "fora do trabalho". Se nas cidades por este mundo fora, livres da pedra calcária da calçada portuguesa, tanto se pratica, porque não cá? 

Portanto, não ignorando o tempo, botas de borracha para chegar ao trabalho e garantir que até lá estamos no nosso melhor. Depois, é só trocar por uns sapatos. 


Fotos: The Daybook e MFL for Him

Sapatos trocados e não esquecendo o propósito deste post:

Uma saia em lápis de ganga colorida, com os complementos certos, até faz esquecer o quanto casual a ganga é;

Xadrez com xadrez, o da camisa mais informal, mas com uma gravata, para recordar que não se trata do fim-de-semana, e um casaco de malha com alguma vontade de ser blaser.